Caras e caros,
Estive lendo nos últimos meses esporadicamente sobre o conceito de cultura pop, o que me fez ter vontade de escrever um pouco sobre nas poucas horas vagas, por vezes vagarosas, nesse tempo acabei por escrever algumas páginas de divagações e considerações sobre o desenvolvimento, mas principalmente sobre a atualidade desse conceito. Nesta semana, passarei a publicar no Sambluesoul partes desse trabalho de debate solitário sobre conceito tão importante para a cultura da contemporaneidade. Ainda que, publicá-las seja justamente uma forma de alcançar outras vozes que possam discutir essa questão comigo.
Esclareço que sei da pouca novidade do tema ou mesmo da pífia contribuição que posso dar sobre essa discussão, mas como escrevi penso que pode ser útil ou divertido para alguém.
Nos próximos posts, além das poesias, como de costume, publicarei pequenos textos sobre essas questões, dentre elas destaco:
- Como pode ser considerado pop os Beatles e o Luan Santana? Será que eles tem algo em comum? Esperamos que não (sic).
- Como pode ser mais popular o criador do que suas criaturas, mesmo que tenhamos muito mais contato com elas ou mesmo que sejamos até certo ponto dependentes delas? Steve Jobs?
- Para ser pop é necessário ser mesmo popular? Andy Warhol?
- Tudo que é pop é na origem esteticamente rasteiro e vazio? Paris Hilton?
- O pop é uma extensão do que é popular? Samba? Marcelo D2?
- Tornar uma manifestação cultural pop tem como único caminho os meios de comunicação de massa? Malu Magalhães?
- A internet e suas ferramentas são produto ou motor da cultura pop? Apple?
Abraços,
Estéfani Martins
opera10@gmail.com
opera10.blogspot.com
sambluesoul.blogspot.com
cervelejando.blogspot.com
idearium.com.br
twitter.com/opera10
facebook.com/opera10.estefani
terça-feira, 15 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
Samba massa
Para o amigo
e mestre Antônio Sacco
Sem um breque
O samba não
embala
Verdade seja
dita
O samba é
massa.
Samba é
massa, meu amor
Mas é trapaça
É feito uma
alegria
Que dá e
passa
Passa breve
Passageira
Passarada
Para em
fevereiro voltar
Samba raro
que desfila
Na praça
Sem pudor
Samba da raça
É o pedido
De um bloco
pecador
VS
Enredo
Parece claro agora, depois do desfile,
que a veia do problema – o atraso da escola -
foi o enredo lento demais deste ano, foi o samba que mergulhou num caos
malandro, moroso e lerdo. Parecia um samba-canção da Elizeth, a divina. Mas não
deu. Neste ano quem ficou com o campeonato foi a escola que - militar -
desfilou impecavelmente, pena que o samba não foi com ela.
VS
Lama, lamento
Somos madeira semelhante
da mesma cadeira
Somos a cerveja sem ter quem queira
Somos centro
Somos firmamento
Somos o cimento do castelo de ar onde o mar poético habita
O remendo e o corte
O tambor e o silêncio .
VS
Declaração de amor na guerra
Declaro a ti
faz com o teu .
entrincheirados
nada valem.
a da celebração
amalgamados.
aos submissos ,
é imperativo
é uma justa
de imemorial
nutrida de qualquer
VS
Beth Gibbons
Ela
vergada
entre a
vontade e o estéreo
entre o
analógico e o mortal
entre o
perder e o desesperar
nas brumas
equalizadas pelo seu tabaco gêmeo
sua voz
elegantemente em mono
adianta-se
atira-se
no abismo que
a aproxima de nós,
ouvintes.
VS
Atestado de óbito individual
Eis o nome
sacro , único
e infalível : Pessoa .
VS
Arrisco
Arrisco
dos
tambores do maracatu
d’África
madrasta
medrando
falsete
das
caixas que
declaram guerra .
A
esperança , megera ,
de
algo menos
do que o carnaval
e
suficiente para
um
somos
poeira . Pó
pros bons
VS
Aparentes transcendências
VS
Advento tecnológico
E os sinos dobram na esquina sinuosa
da madrugada. Sei que parece efeito da bebida, parece surreal demais. Realismo
fantástico, diriam os eruditos. Eu diria que estava bêbado, mas vi quando a
esquina desdobrou-se num buraco e lá foi a Igrejinha. Ser parte de uma receita,
feita no reluzente forno elétrico dos infernos.
VS
Sucesso
A mediocridade imitada
ou caminhos indefectíveis, indeléveis e
insondáveis.
Insone liberdade de fazer e sentir
sem pulso.
Alma aprisionada no metódico metrônomo
Sem método próprio
Vida inventada por outro
Felicidade parca e possível
Olho-se
Não pertencer, não conhecer integralmente
Mas pouco saber do lugar onde se chega
Outros já viveram mesmas dúvidas...
Segredo público.
VS
Adestramento musical
Ao querido
o padrinho Gebardo
Presente de tia. Ela realizou um sonho daquele
menino sem sopro. Deu-lhe uma gaita
intocada, imaculada na sua vocação de objeto , todavia
tentada e lasciva por
um sonho
de ser instrumento .
Tocou-a por anos .
Nunca conseguiu tocá-la como um feitor ou um amante. Por
fim , consternado, achou que as gaitas são
adestradas. Desistiu de tudo . Entrou no seminário . Feliz , foi tocar o sino da Igreja .
VS
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Coluna Ouvidosnegros - Novo de novo
Coluna de um ouvinte dedicado da música negra. Aquela... que pariu o rock que forjou o metal pesado com que se fez – bem no centro do que é rápido e visceral - o som feito morte, feito pancada, feito demônio, feito lixo, feito tristeza que nos fez e nos faz ficar batendo cabeça pelas quebradas.
Novo de novo
Por Estéfani Martins
opera10@gmail.com
sambluesoul.blogspot.com
idearium.com.br
Versões de músicas consagradas já proporcionaram a humanidade momentos únicos tanto de horror tacanho e descartável como de prazer estético incomparável. Exemplificam a primeira tradição, as versões de gosto duvidoso de sambas históricos assassinados pelas interpretações de Emílio Santiago e Simone. Do outro lado, merecem honrosa lembrança as muitas versões inspiradas de velhos blues interpretados por bandas como Rolling Stones, Canned Heat, Cream, etc. Outra lembrança imediata é a versão do clássico “Maracatu atômico” do trovador moderno Jorge Mautner orquestrada pela banda símbolo do manguebeat Chico Science e Nação Zumbi, ou ainda a versão de “Bullet blue Sky” do U2 feita com a dureza e a potência do Sepultura, que, aliás, deu mais consistência à música do que seus autores conseguiram. Vale lembrar também as versões do Metallica feitas pelo ótimo quarteto Apocalyptica, especialmente a já antes belíssima “Fade to Black”, que ganhou uma versão irretocável, sem dizer nas versões arrebatadoras de “Master of Puppets”, “Seek and destroy”, entre outras. Outro grande momento em que músicas já excelentes foram reinventadas por obra de gênios como Elis Regina e Hermeto Pascoal foi no Festival de Montreaux, em 1979, quando eles deram cores novas a clássicos da música brasileira com interpretações maravilhosas e no improviso de “Corcovado”, “Asa branca” e “Garota de Ipanema”.
Sobre o mesmo tema, sempre ficava desconfiado de versões que muito modificaram especialmente o estilo original da música, mas tenho ficado surpreso com pancadas como “Killing in the name of” da sempre saudosa banda Rage Against the Machine, reinterpretada pelo inventivo grupo The Apples; ou “War Pigs” e “The Wizard” do eterno Black Sabbath, ou a quebradeira total do clássico “Moby Dick” do Led, ou ainda “Crostown traffic” do deus Jimi Hendrix e “Helter Skelter”, do álbum branco dos Beatles convertidas em petardos funk pela excelente e criativa banda Bonerama.
Enfim, versões ou regravações são formas de sentirmos novidade no que se imortalizou pela qualidade e pela atemporalidade e, assim, ficamos com dois ou mais olhares sobre uma mesma obra. Claro que isso pode também servir como caça-níqueis ou mesmo como “solução” para a falta de inspiração sempre a espreita até de grandes bandas. Entretanto, esses são os riscos necessários de se lidar com a novidade, especialmente quando o novo visita a maravilha dos velhos e monumentais long plays na estante.
Estéfani Martins, professor de Redação e Atualidades do INEICOC, coordenador da CCCult, produtor cultural, gaitista amador, palestrante nas áreas de cultura e multimeios.
Observação: esse artigo foi originalmente publicado no zine Páginas Vazias (www.paginasvazias.com.br)
Novo de novo
Por Estéfani Martins
opera10@gmail.com
sambluesoul.blogspot.com
idearium.com.br
Versões de músicas consagradas já proporcionaram a humanidade momentos únicos tanto de horror tacanho e descartável como de prazer estético incomparável. Exemplificam a primeira tradição, as versões de gosto duvidoso de sambas históricos assassinados pelas interpretações de Emílio Santiago e Simone. Do outro lado, merecem honrosa lembrança as muitas versões inspiradas de velhos blues interpretados por bandas como Rolling Stones, Canned Heat, Cream, etc. Outra lembrança imediata é a versão do clássico “Maracatu atômico” do trovador moderno Jorge Mautner orquestrada pela banda símbolo do manguebeat Chico Science e Nação Zumbi, ou ainda a versão de “Bullet blue Sky” do U2 feita com a dureza e a potência do Sepultura, que, aliás, deu mais consistência à música do que seus autores conseguiram. Vale lembrar também as versões do Metallica feitas pelo ótimo quarteto Apocalyptica, especialmente a já antes belíssima “Fade to Black”, que ganhou uma versão irretocável, sem dizer nas versões arrebatadoras de “Master of Puppets”, “Seek and destroy”, entre outras. Outro grande momento em que músicas já excelentes foram reinventadas por obra de gênios como Elis Regina e Hermeto Pascoal foi no Festival de Montreaux, em 1979, quando eles deram cores novas a clássicos da música brasileira com interpretações maravilhosas e no improviso de “Corcovado”, “Asa branca” e “Garota de Ipanema”.
Sobre o mesmo tema, sempre ficava desconfiado de versões que muito modificaram especialmente o estilo original da música, mas tenho ficado surpreso com pancadas como “Killing in the name of” da sempre saudosa banda Rage Against the Machine, reinterpretada pelo inventivo grupo The Apples; ou “War Pigs” e “The Wizard” do eterno Black Sabbath, ou a quebradeira total do clássico “Moby Dick” do Led, ou ainda “Crostown traffic” do deus Jimi Hendrix e “Helter Skelter”, do álbum branco dos Beatles convertidas em petardos funk pela excelente e criativa banda Bonerama.
Enfim, versões ou regravações são formas de sentirmos novidade no que se imortalizou pela qualidade e pela atemporalidade e, assim, ficamos com dois ou mais olhares sobre uma mesma obra. Claro que isso pode também servir como caça-níqueis ou mesmo como “solução” para a falta de inspiração sempre a espreita até de grandes bandas. Entretanto, esses são os riscos necessários de se lidar com a novidade, especialmente quando o novo visita a maravilha dos velhos e monumentais long plays na estante.
Estéfani Martins, professor de Redação e Atualidades do INEICOC, coordenador da CCCult, produtor cultural, gaitista amador, palestrante nas áreas de cultura e multimeios.
Observação: esse artigo foi originalmente publicado no zine Páginas Vazias (www.paginasvazias.com.br)
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domingo, 3 de maio de 2009
Seasick Steve
Indicação virtual da colaboradora Anna Clara do blog coletivo idearium.com.br, fiquei impressionado com o som cru e verdadeiro do "bom velhinho" em questão. Blues que se ouve com as vísceras. Felicidade certa. Ouçam com tudo.
Abraços harmônicos,
"Feh"
Estéfani Martins, ouvindo Manduka, Vitória régia
Abraços harmônicos,
"Feh"
Estéfani Martins, ouvindo Manduka, Vitória régia
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blues,
Seasick Steve
terça-feira, 21 de abril de 2009
Gravadoras versus Internet
Caros amigos e amigas,
Reproduzo aqui texto originalmente publicado pela ótima Revista de Música Brasileira, porque penso ser um debate necessário em tempos de liberdade digital próximo do abismo, assim leiam e reflitam sobre os importantes temas tratados no texto de forma didática e franca.
Forte abraço a todos,
Estéfani, ouvindo Ney Matogrosso e Rafael Rabelo, Retrato em branco e preto
Gravadoras versus Internet
Daniel Brazil
Um dos grandes ganhos para os pesquisadores e amantes da música brasileira foi a proliferação de sites e blogs de trocas de músicas. Preciosidades voltaram a circular, antigos LPs ganharam versão digital, e centenas de milhares de pessoas puderam ter acesso a um acervo inestimável, que certamente motivou muita gente a comprar, pedir e cobrar de lojistas, que por sua vez pressionaram gravadoras, que algumas vezes relançaram parte do acervo que mantinham fora de circulação por ser “pouco comercial”.
Mas evidentemente as trocas pela Internet não se limitam às gravações esgotadas. A facilidade de circulação de informações e downloads faz com que os fãs de música troquem gravações caseiras, registros ao vivo e, claro, músicas em catálogo e lançamentos recentes.
Um fã de música brasileira que more numa das centenas de pequenas cidades do interior do Brasil não tem acesso a lojas de disco, ou conta com uma oferta restrita apenas aos sucessos radiofônicos. Estas trocas aumentam a curiosidade, estimulam as vendas, promovem a divulgação.
Evidentemente, as gravadoras pensam o contrário. Preocupadas com a revolução digital inexorável que vem mudando as regras do comércio musical, tentam vetar, impedir, proibir a circulação de músicas pela Internet. Ou pelo menos buscam uma forma de taxar, lucrar com essa onda.
Há muitos e bons blogs de música brasileira na Internet. Não tenho vergonha de dizer que várias gravações que aqui comentei foram ouvidas pela primeira vez de forma gratuita, baixadas na rede. Não tenho dúvida de que muita gente leu, ficou interessado, foi até uma loja e comprou o CD. Não ganhei nada com isso, mas a gravadora certamente teve lucro. Ou seja: divulgar o produto de graça é bom, não parece?
Pois não é assim que pensam. Agora mesmo um dos melhores blogs de música brasileira, o Um Que Tenha (www.umquetenha.blogspot.com) está ameaçado de sair do ar. Veja o que escreveu no dia 24 de outubro de 2008 o responsável pelo riquíssimo acervo ali disponível:
“Assim como ocorreu com o Som Barato, o Um Que Tenha acaba de receber uma notificação de que publicou material que viola os direitos autorais, material este que foi retirado do ar, em junho passado, a pedido de Guilherme Viotti, da gravadora Biscoito Fino. Tal como ocorreu com o Som Barato, é o prenúncio de que, de uma hora para outra, o blog será retirado do ar.”
Se a ameaça se concretizar, será uma grande perda. Encontrei no Um Que Tenha discos raríssimos, obras que só haviam sido lançadas no exterior, músicas instrumentais brasileiras gravadas por jazzistas do mundo inteiro, raridades fora de catálogo e, claro, alguns lançamentos que fiz questão de divulgar aqui na Revista Música Brasileira.
Os tempos estão mudando, já dizia Bob Dylan, lá pelos anos 60. As gravadoras ainda não entenderam que a indústria cultural está em transformação, e os modos de produção, difusão e fruição de música estão circulando por novos caminhos. Não se conformam de não mais vender milhões de discos como no tempo dos Beatles, e caem no círculo vicioso de aumentarem o preço para compensar as perdas, vendendo ainda menos por causa disso.
Se eu fosse dono de gravadora, e trabalhasse com um produto tão valioso como é a boa música brasileira – como, aliás, faz a Biscoito Fino, tantas vezes aplaudida aqui na RMB – enviaria cada novo lançamento para alguns blogs fundamentais, apostando no efeito multiplicador desses voluntários e incansáveis divulgadores, acessados por um público muito especial.
Fechar um espaço que presta um serviço tão valioso de informação é burrice. Não vão vender mais discos por causa disso. Mais e mais blogs se abrirão no lugar daquele que fechou. Acreditar no contrário é como tentar segurar a maré com as mãos. Faz lembrar os versos de Paulo César Pinheiro em Pesadelo (parceria com Mauricio Tapajós):
“Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa”
Direitos autorais são muito discutíveis, principalmente num sistema onde sabidamente o autor fica com menos de 10% do resultado das vendas. No mundo inteiro este conceito vem passando por mudanças, muito por causa das novas mídias. Não é fechando canais de divulgação que o autor passará a ganhar mais. Felizmente, muito artista já percebeu isso, e coloca seu trabalho na rede, disponibiliza downloads, expõe sua cara nos You Tubes e My Spaces, correndo atrás do público. É por aí que vamos, pois como diz outro blogueiro, o Branco Leone, no futuro todo mundo vai ser famoso não por quinze segundos, mas para quinze pessoas. Se chegarmos a esse ponto, a existência de gravadoras – como conhecemos – não terá mais nenhum sentido.
©2009 Revista Música Brasileira. Todos os direitos reservados.
Reproduzo aqui texto originalmente publicado pela ótima Revista de Música Brasileira, porque penso ser um debate necessário em tempos de liberdade digital próximo do abismo, assim leiam e reflitam sobre os importantes temas tratados no texto de forma didática e franca.
Forte abraço a todos,
Estéfani, ouvindo Ney Matogrosso e Rafael Rabelo, Retrato em branco e preto
Gravadoras versus Internet
Daniel Brazil
Um dos grandes ganhos para os pesquisadores e amantes da música brasileira foi a proliferação de sites e blogs de trocas de músicas. Preciosidades voltaram a circular, antigos LPs ganharam versão digital, e centenas de milhares de pessoas puderam ter acesso a um acervo inestimável, que certamente motivou muita gente a comprar, pedir e cobrar de lojistas, que por sua vez pressionaram gravadoras, que algumas vezes relançaram parte do acervo que mantinham fora de circulação por ser “pouco comercial”.
Mas evidentemente as trocas pela Internet não se limitam às gravações esgotadas. A facilidade de circulação de informações e downloads faz com que os fãs de música troquem gravações caseiras, registros ao vivo e, claro, músicas em catálogo e lançamentos recentes.
Um fã de música brasileira que more numa das centenas de pequenas cidades do interior do Brasil não tem acesso a lojas de disco, ou conta com uma oferta restrita apenas aos sucessos radiofônicos. Estas trocas aumentam a curiosidade, estimulam as vendas, promovem a divulgação.
Evidentemente, as gravadoras pensam o contrário. Preocupadas com a revolução digital inexorável que vem mudando as regras do comércio musical, tentam vetar, impedir, proibir a circulação de músicas pela Internet. Ou pelo menos buscam uma forma de taxar, lucrar com essa onda.
Há muitos e bons blogs de música brasileira na Internet. Não tenho vergonha de dizer que várias gravações que aqui comentei foram ouvidas pela primeira vez de forma gratuita, baixadas na rede. Não tenho dúvida de que muita gente leu, ficou interessado, foi até uma loja e comprou o CD. Não ganhei nada com isso, mas a gravadora certamente teve lucro. Ou seja: divulgar o produto de graça é bom, não parece?
Pois não é assim que pensam. Agora mesmo um dos melhores blogs de música brasileira, o Um Que Tenha (www.umquetenha.blogspot.com) está ameaçado de sair do ar. Veja o que escreveu no dia 24 de outubro de 2008 o responsável pelo riquíssimo acervo ali disponível:
“Assim como ocorreu com o Som Barato, o Um Que Tenha acaba de receber uma notificação de que publicou material que viola os direitos autorais, material este que foi retirado do ar, em junho passado, a pedido de Guilherme Viotti, da gravadora Biscoito Fino. Tal como ocorreu com o Som Barato, é o prenúncio de que, de uma hora para outra, o blog será retirado do ar.”
Se a ameaça se concretizar, será uma grande perda. Encontrei no Um Que Tenha discos raríssimos, obras que só haviam sido lançadas no exterior, músicas instrumentais brasileiras gravadas por jazzistas do mundo inteiro, raridades fora de catálogo e, claro, alguns lançamentos que fiz questão de divulgar aqui na Revista Música Brasileira.
Os tempos estão mudando, já dizia Bob Dylan, lá pelos anos 60. As gravadoras ainda não entenderam que a indústria cultural está em transformação, e os modos de produção, difusão e fruição de música estão circulando por novos caminhos. Não se conformam de não mais vender milhões de discos como no tempo dos Beatles, e caem no círculo vicioso de aumentarem o preço para compensar as perdas, vendendo ainda menos por causa disso.
Se eu fosse dono de gravadora, e trabalhasse com um produto tão valioso como é a boa música brasileira – como, aliás, faz a Biscoito Fino, tantas vezes aplaudida aqui na RMB – enviaria cada novo lançamento para alguns blogs fundamentais, apostando no efeito multiplicador desses voluntários e incansáveis divulgadores, acessados por um público muito especial.
Fechar um espaço que presta um serviço tão valioso de informação é burrice. Não vão vender mais discos por causa disso. Mais e mais blogs se abrirão no lugar daquele que fechou. Acreditar no contrário é como tentar segurar a maré com as mãos. Faz lembrar os versos de Paulo César Pinheiro em Pesadelo (parceria com Mauricio Tapajós):
“Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa”
Direitos autorais são muito discutíveis, principalmente num sistema onde sabidamente o autor fica com menos de 10% do resultado das vendas. No mundo inteiro este conceito vem passando por mudanças, muito por causa das novas mídias. Não é fechando canais de divulgação que o autor passará a ganhar mais. Felizmente, muito artista já percebeu isso, e coloca seu trabalho na rede, disponibiliza downloads, expõe sua cara nos You Tubes e My Spaces, correndo atrás do público. É por aí que vamos, pois como diz outro blogueiro, o Branco Leone, no futuro todo mundo vai ser famoso não por quinze segundos, mas para quinze pessoas. Se chegarmos a esse ponto, a existência de gravadoras – como conhecemos – não terá mais nenhum sentido.
©2009 Revista Música Brasileira. Todos os direitos reservados.
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
BRBlues
Grande banda. Impressionaria em qualquer lugar do mundo. Blues de primeira. Uma felicitação especial ao amigo Claudinho Melazzo. Quebrou tudo na batera do show da BRBlues na calourada deste sábado.
Forte abraço,
Estéfani, ouvindo Cream, I feel free
Forte abraço,
Estéfani, ouvindo Cream, I feel free
terça-feira, 31 de março de 2009
Aforismos - #1 - por Tiago L. Garcia
Intrigantes idéias sobre música... Honestidade a toda prova, para além das convenções, da mesmice e do politicamente correto. Enfim, ótimo.
Grande abraço,
Estéfani, ouvindo Rage Against the Machine, Bulls on parade
I
Na música popular não há nada mais velho do que o culto à novidade e, no entanto, não há nada mais igualmente atual do que o culto ao velho…distintos tempos estes nossos.
É necessário incinerar as revistas, jornais, livros, guias, manuais, relógios e calendários…e, então, ouvir.
O que a “crítica musical” pode fazer é traçar mitos…imagine os seus, oras!
Uma farsa planejada apenas para nós mesmos não é mentirosa , certo?…Diga isto para os pastores tagarelas da indústria cultural.
Dizer que a cultura de hoje é infantil é uma grande bobagem; quando as crianças são estúpidas elas não ganham dinheiro e ficam famosas por isto!
A criança que é nossa cultura usa terno e gravata, anda armada e dirige carros importantes…“Uma criança prodígio, sem dúvida.”.
Sejamos, pois, crianças como Syd Barret!
II
Só existem dois tipos de música: a ruim e a boa…eu gosto de ambas!
Boa música é como vinho…eu prefiro cerveja.
Qual é o truque? A alegria infantil é, por vezes, grosseira!
Mas eu gosto de Bach: O milagre de transformar vinho Beaujolais Pinot Noir em Cerveja Belco!
III
Chesterton acerta em cheio, o prazer dos refrões é resíduo do enorme prazer infantil em correr, saltar, cair, levantar, correr novamente, e saltar mais uma vez e assim por diante, ad infinitum, ou até cansar (mas quem se cansa de ouvir Phil Spector, Ramones, Beatles(…)?)
O prazer de ouvir Bach: Maratona mística sobre as riscas do tapete da sala, com o coração na mão e lágrimas nos olhos.
Le plaisir d’écouter Erik Satie: Promanade matinal no país das maravilhas.
Das Vergnügen des Zuhörens Arnold Schonberg: Fuga desesperada através dos arames farpados de Auschwitz (eu acho).
The great pleasure of listening to John Dowland: Elegante trote, em nosso corcel majestoso, até o nobre coração da donzela da corte mais próxima.
O prazer de ouvir….Mose Allison: “Você chama de ‘jogging’, eu chamo de ‘correr por aí’”!
Grande abraço,
Estéfani, ouvindo Rage Against the Machine, Bulls on parade
I
Na música popular não há nada mais velho do que o culto à novidade e, no entanto, não há nada mais igualmente atual do que o culto ao velho…distintos tempos estes nossos.
É necessário incinerar as revistas, jornais, livros, guias, manuais, relógios e calendários…e, então, ouvir.
O que a “crítica musical” pode fazer é traçar mitos…imagine os seus, oras!
Uma farsa planejada apenas para nós mesmos não é mentirosa , certo?…Diga isto para os pastores tagarelas da indústria cultural.
Dizer que a cultura de hoje é infantil é uma grande bobagem; quando as crianças são estúpidas elas não ganham dinheiro e ficam famosas por isto!
A criança que é nossa cultura usa terno e gravata, anda armada e dirige carros importantes…“Uma criança prodígio, sem dúvida.”.
Sejamos, pois, crianças como Syd Barret!
II
Só existem dois tipos de música: a ruim e a boa…eu gosto de ambas!
Boa música é como vinho…eu prefiro cerveja.
Qual é o truque? A alegria infantil é, por vezes, grosseira!
Mas eu gosto de Bach: O milagre de transformar vinho Beaujolais Pinot Noir em Cerveja Belco!
III
Chesterton acerta em cheio, o prazer dos refrões é resíduo do enorme prazer infantil em correr, saltar, cair, levantar, correr novamente, e saltar mais uma vez e assim por diante, ad infinitum, ou até cansar (mas quem se cansa de ouvir Phil Spector, Ramones, Beatles(…)?)
O prazer de ouvir Bach: Maratona mística sobre as riscas do tapete da sala, com o coração na mão e lágrimas nos olhos.
Le plaisir d’écouter Erik Satie: Promanade matinal no país das maravilhas.
Das Vergnügen des Zuhörens Arnold Schonberg: Fuga desesperada através dos arames farpados de Auschwitz (eu acho).
The great pleasure of listening to John Dowland: Elegante trote, em nosso corcel majestoso, até o nobre coração da donzela da corte mais próxima.
O prazer de ouvir….Mose Allison: “Você chama de ‘jogging’, eu chamo de ‘correr por aí’”!
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Até Você Concorda
Descobri, dia desses, que tenho uma veia poética, você sabe, dessas com sangue bem carregado de impurezas, de demônios liquefeitos que se exorcizam na literatura, dessa mesmo, de botequim. Outro dia, estourou, vazou, sangue errou pelos lugares mais imprevistos, fez-se a criatividade, fez-se o invento...desfez-se o homem. A arte sobre todas as coisas habita, suprema, mesmo sobre a vida, mesmo sobre a morte. Ela é mais que isso tudo, ainda que prole de nossas facetas mais humanas. Nela, a última fronteira da verdade, que é versão, que é muitas, que é dizer não, esconde-se.
VS
VS
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até você concorda,
poesia
Silêncio
.
Vida, soma indefinida e aparente de pontos finais, entre exclamações e interrogações, reticências, elas sim, reinam absolutas. Certo, só o silêncio.
VS
Vida, soma indefinida e aparente de pontos finais, entre exclamações e interrogações, reticências, elas sim, reinam absolutas. Certo, só o silêncio.
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